Século XXI


Revolução

Os romanos e os fatalistas

 

Seremos nós romanos ou fatalistas? Os romanos, em definição estereotipada é aquele que aponta, acusa e adora ver os criminosos morrerem na arena. Os fatalistas tem origem mais ou menos na mesma época. São os cristãos que morriam devorados pelos leões, nas arenas preparadas pelos romanos. Na época, pelo estereótipo bíblico, morriam conformados, pacíficos e sem qualquer reação, aceitando a fatalidade divina.

Hoje vejo milhões de romanos na tv. O ‘coro da morte’ é puxado pelos Césares modernos, aqueles que abaixam o dedão em rede nacional, declarando a sentença de morte dos inimigos públicos. A arena é outra, afinal evoluímos desde a época de Cristo. A sentença também é outra, pois não jogamos os criminosos aos leões ou carrascos. Os lançamos à desgraça social, ao limbo financeiro, ao gosto da multidão ensandecida pela fúria dos Césares modernos. A punição, para eles, é algo que deve existir, ser dura e vingativa.

Vejo, por outro lado, algumas centenas de fatalistas, que atribuem à fúria divina os acontecimentos recentes. Ninguém é culpado de nada. Tudo é resultado de uma infeliz soma de erros inocentes e comuns. Outros fatalistas apostam no carma, na necessidade da morte coletiva para aplacar os erros da alma. A vontade de Deus foi respeitada, no final das contas. A punição, para eles, é inútil e fruto de vingança.

Mais uma vez pergunto: seremos nós romanos ou fatalistas? Estamos em busca da condenação incondicional ou da redenção divina? Jogamos os suspeitos na boca do leão e os encarceramos ou deixamos seus destino nas mãos infalíveis de Deus?

Não somos romanos nem fatalistas, dizem alguns. Temos um sistema jurídico que embora falível, é útil para punir os culpados e absolver os inocentes. E isto deve bastar. Mas basta? É suficiente a absolvição jurídica depois da vergonha pública, do achincalhe em rede nacional ou da condenação prévia (mas definitiva) dos autointitulados legítimos representantes da nação? Os Césares modernos se apresentam assim, como a voz do povo, os fiscais da nação, a reserva moral de uma sociedade deturpada pelos maus.

O brado retumbante por justiça é travestido. Ele prega a vingança como instrumento de pacificação social, incentiva o ódio e a segregação como remédios heroicos para uma sociedade doente.

Vejo que a cada dia nos tornamos mais romanos e menos fatalistas.

O ideal é que sejamos Socráticos. O ideal é que saibamos respeitar a igualdade, não nos esquecendo que as diferenças devem contar. Saibamos respeitar o próximo como aquele juiz que viu na pessoa do acusado ele mesmo, em outras condições de vida e em outras circunstâncias de fato. Vamos depositar nossa fé nas instituições, não nos falsos Césares. Deixemo-los gritar até que sua ferocidade se cale diante da verdadeira justiça, que para nós não é a divina.

Deixemos o divino para Deus, no reino que não é deste mundo.

Deixemos a justiça para os tribunais, que é deste mundo.

Vamos renunciar à natureza romana, vamos deixar os ditadores da mídia sensacionalista sem poder.

Esta é a revolução que proponho.  

 



 Escrito por Dr. Tércio Felippe M. Bamonte às 11h03 [] [envie esta mensagem] []




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